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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Demasiado Humano?






Ao longo do tempo, os conflitos entre e nações mudaram

seus motivos, porém mantiveram seu traço 

de absurdo. Se somosseres dotados de razão e 

interessados em encontrar a felicidade, 

por que, então, vivemos em guerra?


Por Jaya Hari Das*




Após uma década de século 21, a humanidade
ainda não vislumbra a possibilidade de ver
fundado um pacto social que promova
a justiça social como consequência imediata
e a felicidade como consequência última.
Por que, ainda hoje, pomos em risco
nossas vidas, a vida de muitos, a vida de
todos, produzindo a guerra? Por que o
animal racional é irresponsável para com
sua própria existência e intolerante para
com seu semelhante, se a razão
(e não a loucura) nos aconselha caminhos
de diplomacia e de compreensão mútua,
e deveria servir de fundamento para
nossas relações?
Neste instante, há um conflito, grande ou
pequeno, mas certamente sério o suficiente
para nos pôr em alerta contra nós mesmos,
em algum lugar do mundo. Nunca houve
um único momento de verdadeira paz,
em todos os lugares, ao mesmo tempo.
Se a racionalidade ainda não foi capaz
de instituir um contrato social baseado
no respeito pela alteridade de indivíduos,
povos e nações, e se o sentido de
responsabilidade no homem, até o presente
momento, não foi suficientemente rigoroso
em firmar as bases de uma justiça social
abrangente, então, tampouco, ou
dificilmente, o ideal de felicidade poderá
ser alcançado aqui na Terra, a despeito
dos avanços científicos, da melhoria na
qualidade de vida, dos tratados filosóficos,
das exortações religiosas e dos esforços
dos homens de boa vontade que ainda
existam por aí.
Seremos nós, aqui, também forçados a
perguntar, como o fez o Diabo de
abernard shaw em Homem e
Super-homem: uma comédia e
uma filosofia, “Para que serve o
conhecimento?” – isto é, para que
serve nossa racionalidade? Será mesmo
o homem, como diz o debatedor de
Don Juan, pouco criativo na arte do
viver e superior à natureza na arte de
matar e fazer sofrer seu semelhante?
Sejam quais forem as respostas para
essas perguntas, numa coisa devemos
concordar com Bernard Shaw
: “A razão escraviza todas as mentes
que não são suficientemente fortes para
a dominarem”. Será que o
historiador Will Durant
também tem razão ao dizer: “A ciência
nos ensina a curar e matar; reduz a taxa
de mortalidade no varejo e depois nos
mata por atacado na guerra”?


Questão da paz
A existência e o sentido da vida sempre
foram fontes de inspiração e de
preocupação para a Filosofia.
A racionalidade, privilégio do
ser humano, sempre foi a via e
o fundamento das discussões e
proposições feitas ao longo da
história da humanidade. A questão
da paz (ou da guerra) tem a ver
diretamente não somente com nossa
compreensão de ética, justiça
e racionalidade, como também com
a aplicação destas em nossas vidas.
Por essa razão, apresenta-se a nós
a necessidade de averiguar, a partir
dos filósofos que trataram cada uma
delas à sua maneira, como
a racionalidade pode promover
a justiça social e em que medida
poderá essa justiça nos conduzir
realmente à felicidade.
Desde os tempos mais remotos,
o homem vem tentando viver em
bando, ou em sociedade, buscando
assim sua proteção e seu bem-estar.
Nessa trajetória, ele impôs regras a
si mesmo, a fim de manter um convívio
pacífico com seus semelhantes e tentar
preservar sua vida e seus bens materiais
e afetivos. No entanto, muitas foram
(e ainda são) as dificuldades
na realização de seu intento e, infelizmente,
as ameaças a seu afã existencial, ao que
parece, encontram- se nele mesmo.
Entramos no século 21 incertos quanto
à nossa capacidade de fazer desaparecer
do nosso mundo a máxima que paira
sobre a humanidade: bellum 
omnium contra omnes.

Fonte:
http://conhecimentopratico.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/29/demasiado-humano-ao-longo-do-tempo
-os-conflitos-entre-213844-1.asp

sábado, 23 de abril de 2011

FIL0SOFIA SOBE AOS PALCOS


O Grupo Raízes do Porto, com 19 anos de trabalhos artísticos em Rondônia, prepara seu mais novo espetáculo - “O Viandante da Torre”. Contemplado com o Prêmio de Teatro Myriam Muniz 2009, a produção trará a filosofia de Nietzsche para os palcos.

Suely Rodrigues, diretora artística do grupo e diretora geral do espetáculo, diz que a ideia é aproximar o pensamento do filósofo alemão ao trabalho do homem atual. “Não queremos mostrar um espetáculo baseado na vida dele, algo como biográfico. Queremos aproveitar a filosofia de Nietzsche para entender como ela influencia o cotidiano do homem operário”, conta.

Alexandre Lemos e Odinaldo Silva são os atores do espetáculo, que passam por vários processos de trabalho para a montagem. A proposta se iniciou com Ivan Di Castela, ator de teatro radicado em Rio Branco - AC, com 30 anos de experiência, que utilizou da “desconstrução” dos atores para que entendessem o psicológico das personagens. A preparação corporal é de Juscimara Campos e Eli Gomes.

Atualmente o elenco estuda técnicas circenses com Natanael Prestes, formado pela Escola Nacional de Circo (RJ), fundador e atual presidente da Escola de Circo “Curumim” do Estado de Rondônia. O profissional aplica técnicas de alongamento e aquecimento físico, baseados em ritos tibetanos buscando a concentração, equilíbrio, flexibilidade, força e agilidade dos atores. Da capoeira Natanael traz a segurança, coordenação motora, afetiva e social, desenvolvimento de lateralidade, noções de tempo e espaço, ritmo e musicalidade. Os atores buscam ainda com Natanel, técnicas da Ginástica Rítmica como locomoção, postura e estética, da Ginástica de Solo, rolamento, parada de mão, parada de cabeça, ponte, flic-flac, reversão, saltos, acrobacias, além das técnicas circenses como equilibrismo e acrobacias.
Fonte:
http://www.diariodaamazonia.com.br/diariodaamazonia/index2.php?sec=News&id=10363

domingo, 3 de abril de 2011

PENSAR PARA TRANSFORMAR

Banida das escolas desde a ditadura, filosofia vai ter livros didáticos distribuídos na rede pública em 2012


A filosofia vai voltar, na prática, para o conteúdo curricular dos alunos de ensino médio, depois de 47 anos fora dos currículos das escolas de educação básica no país. No ano que vem, as escolas da rede pública receberão pela primeira vez, desde a ditadura, livros didáticos da disciplina para orientar o trabalho dos professores. Foi o regime militar que baniu a filosofia das escolas.

      Em 2008, uma lei trouxe de volta a filosofia e a sociologia como disciplinas obrigatórias para os estudantes do ensino médio. A professora Maria Lúcia Arruda Aranha ensinava filosofia em 1971 quando a matéria foi extinta pelo governo militar. Hoje, é uma das autoras dos livros que foram selecionados para serem distribuídos aos alunos da rede pública pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).
      “Ela desapareceu (a filosofia nas escolas) na década de 70 e reapareceu como disciplina optativa em 1982. Mas, nesse meio tempo, eu continuava dando aula em escola particular. A gente ensinava, só que o nome da matéria não podia constar como filosofia”, lembra.
      Ela avalia que o país “demorou demais” para incluir as duas disciplinas novamente entre as obrigatórias e ainda falta “muito chão” para que elas sejam ministradas da forma adequada. Ainda faltam professores formados na área já que, por muito tempo, não havia mercado de trabalho para os licenciados e a procura pelo curso era baixa. Em 2009, 8.264 universitários estavam matriculados em cursos superiores de filosofia – 78 vezes menos do que o total de alunos de direito.
      Muitas vezes são profissionais formados em outras graduações como história ou geografia que assumem a tarefa. Os livros didáticos devem ajudar a orientar os docentes no ensino da filosofia. “O livro é muito importante porque dá uma ordenação do conteúdo e propõe como o professor pode trabalhar os principais conceitos, como o que é filosofia e a história da filosofia. Mesmo o aluno formado na área, às vezes, não está acostumado a dar aula para o ensino médio, não tem dimensão de como chegar ao aluno que nunca viu filosofia na vida”, explica.
      A história da filosofia, as ideias dos principais pensadores como Platão, Kant e Descartes, servem de base para ensinar aos jovens conceitos básicos como ética, lógica e política. Mas Maria Lúcia ressalta que é muito importante conectar o conteúdo com a realidade do aluno para que ele “aprenda a filosofar”.
      “O professor deve apresentar o texto dos filósofos fazendo conexões com a realidade daquele tempo em que o autor vive, mas também estimular o que se pensa sobre aquele assunto hoje. Isso desenvolve a capacidade de conceituação e a competência de argumentar de maneira crítica. Ele aprende a debater, mas também a ouvir”, compara.
Fonte: O POVO Online/Mais Noticias/Brasil, 03/94/2011