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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Estudantes açorianos gostam de Filosofia e valorizam a disciplina

A opinião é defendida por Emanuel Oliveira Medeiros, professor da Universidade dos Açores.

Baseado num estudo da Universidade dos Açores, o professor Emanuel Oliveira Medeiros afirma que a maioria dos jovens gosta de filosofia. e que "A filosofia é importante em todas as sociedades que se queiram democráticas e livres". Assim, segundo este justifica-se plenamente a criação do curso de "Filosofia e Cultura Portuguesa" no campus de Angra do Heroísmo da academia açoriana."A criação desye curso é muito relevante na Sociedade terceirense, do mesmo modo que é noutra ilha ou zona dos Açores e de Portugal no seu conjunto, enquanto partes de um Mundo que se quer sempre mais desenvolvido, culto, democrático e livre. Mas é importante que a Filosofia seja isso mesmo, isto é, que não negue, na prática, a sua própria essência e vocação" considera Emanuel Oliveira Medeiros.
O curso é lecionado a partir do próximo ano letivo e introduz a área de humanidades em Angra, como há muito vinha sendo reivindicado pelo campus.
Eduardo Oliveira Medeiros critica a privação de filosofia nas escolas de ensino profissional, que classifica como um "erro histórico". O professor acredita, no entanto, que a maior parte dos alunos gosta de filosofia e que reconhece a sua importância.O docente defende ainda que a Filosofia da Educação deveria ser uma disciplina obrigatória em todos os cursos do ensino superior que qualificam para a docência.
http://www.jornaldiario.com/ver_noticia.php?id=25389&sec=1

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O poder da filosofia

Hannah Arendt
14/10/1906, Linden, Alemanha
4/12/1975, Nova York, Estados Unidos

Hannah Arendt formulou o célebre conceito da banalidade do mal

Conhecida como a pensadora da liberdade, Hannah Arendt viveu as grandes transformações do poder político do século 20. Estudou a formação dos regimes autoritários (totalitários) instalados nesse período - o nazismo e o comunismo - e defendeu os direitos individuais e a família, contra as "sociedades de massas" e os crimes contra a pessoa.

Sua obra é fundamental para entender e refletir sobre os tempos atuais, dilacerados por guerras localizadas e nacionalismos. Para ela, compreender significava enfrentar sem preconceitos a realidade, e resistir a ela, sem procurar explicações em antecedentes históricos.

Embora fosse de família hebraica, não teve a educação religiosa tradicional judia e sempre professou sua fé em Deus de forma livre e não-convencional. É importante saber desse aspecto porque Hannah dedicou toda sua vida a compreender o destino do povo judeu perseguido por Hitler.

Foi aluna do filósofo Heidegger - com quem teve um relacionamento amoroso - na universidade alemã de Marburgo, e formou-se em filosofia em Heidelberg.

Em 1929, quando o mundo mergulhava na recessão causada pela quebra da Bolsa de Nova York, Arendt ganhou uma bolsa de estudos e mudou-se para Berlim. Quando o nacional-socialismo de Hitler subiu ao poder, em 1933, ela saiu da Alemanha e foi para Paris, a capital francesa, onde entrou em contato com intelectuais como o escritor Walter Benjamin.

Nessa época, colaborou em instituições dedicadas a preparar jovens para viverem como operários ou agricultores na Palestina - ao mesmo tempo, trabalhou como secretária da baronesa Rotschild, de uma família de banqueiros.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo francês de Vichy colaborou com os invasores alemães e, por ser judia, Hannah foi enviada a um campo de concentração, em Gurs, como "estrangeira suspeita". Porém, conseguiu escapar e aportou em Nova York, em maio de 1941.

Exilada, ficou sem direitos políticos até 1951, quando conseguiu a cidadania norte-americana. Então começou realmente sua carreira acadêmica, que duraria até sua morte. Combateu com toda a alma os regimes totalitários e condenou-os em seus livros "Eichmann em Jerusalém" e "As origens do totalitarismo". No primeiro, estuda a personalidade medíocre de Adolf Eichmann, formulando o conceito da "banalidade do mal". Em seus depoimentos, Eichmann disse que cumpria ordens e considerava desonesto não executar o trabalho que lhe foi dado, no caso, exterminar os judeus.

Hannah concluiu que ele dizia a verdade: não se tratava de um malvado ou de um paranóico, mas de um homem comum, incapaz de pensar por si próprio, como a maior parte das pessoas. Essa afirmação é um eco da frase do filósofo e matemático francês Pascal (1623-1662) "Nada é mais difícil que pensar".

Arendt, a teórica do inconformismo, também defendeu os direitos dos trabalhadores, a desobediência civil e atuou contra a Guerra do Vietnã (1961-1975).