Loading...

domingo, 15 de novembro de 2009

FILOSOFIA E HISTÓRIA

Além da História
Recente no currículo escolar de nível médio, a Filosofia já chegou às pré-escolas em outros países. Tirá-la da História e confrontá-la com a realidade local é o principal desafio.
Adriano Belisário


Fora das salas de aula desde 1971, o ensino de Filosofia voltou definitivamente às escolas brasileiras em meados do ano passado, quando foi sancionada a lei que obriga a inclusão da disciplina no currículo do Ensino Médio. Mas se aqui as experiências pedagógicas estão apenas no começo, a longa tradição de alguns países tem muito a colaborar com este desenvolvimento.

Na Itália, a matéria é ensinada no Liceu (equivalente ao Ensino Médio) desde 1923, quando o filósofo Giovanni Gentile promoveu uma reforma no sistema pedagógico. Por décadas, suas diretrizes tornaram a disciplina sinônima de História da Filosofia, inclusive permitindo que professores formados apenas em História fossem habilitados para assumir a cadeira de Filosofia. Assim, o que deveria ser uma atividade crítica produtiva tornou-se apenas uma exposição cronológica de doutrinas. Superar esta condição é o principal desafio nas salas de aulas.

“O estudo deve partir sempre das obras e pensamentos dos grandes filósofos da tradição, mas não pode esgotar aí sua tarefa. Ele deve ajudar os aprendizes a refletirem sobre as questões do seu tempo e proporem soluções para elas. Mas os conteúdos são passados de forma mecânica. Não há atividades que promovam a oportunidade de o aprendiz-leitor vivenciar a experiência de filosofar, considerada um privilégio dos filósofos. A eles, os aprendizes, cabe memorizar e reproduzir”, diz José Benedito, professor de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia.

O filósofo recomenda o uso de filmes, canções e obras de artes para auxiliar no processo de compreensão das questões apresentadas no curso. Abordagens alternativas como estas estavam em ebulição na França do final do século passado. Naquele momento, nasceram as primeiras aulas de Filosofia voltadas para crianças, após mais de um século de presença no Ensino Médio.

“Agora, a ênfase é na liberdade total do professor para o ensino de Filosofia. Isto é um consenso desde mais ou menos 1890. Até então, havia uma forte pressão da Igreja e do Estado. Em 1820, chegou a ser criada um roteiro para aulas, que incluía uma série de perguntas já com as respostas certas que os alunos deveriam dar”, comentou o filósofo Michel Fichant, responsável por mudanças no ensino escolar de Filosofia na França, durante recente passagem pelo Brasil.

Hoje, são praticadas diversas metodologias diferentes no ensino escolar de Filosofia na França, como a de Michel Tozzi, inspirada na pedagogia do trabalho de Célestin Freinet, e a de J. Lévine, baseada na formação do indivíduo. Em comum a elas, está a rejeição em tornar a disciplina uma mera exposição cronológica de doutrinas ou uma repetição de manuais de Filosofia. Outros locais ainda enfrentam o problema da baixa qualidade de materiais didáticos, como na África, onde o ensino de Filosofia está presente em mais de 50 países. No continente negro, as dificuldades em contextualizar o conteúdo com a realidade local são maiores devido à falta de traduções e professores qualificados.

Outra experiência interessante é a do Uruguai, que promove as Olimpíadas Filosóficas Rio-Platense em parceria com a Argentina. Apesar do nome, o evento não tem um caráter competitivo. O principal objetivo é estimular os alunos a debater propostas e elaborar textos críticos sobre o assunto.

Ao se tornarem protagonistas do debate filosófico, os jovens veem a Filosofia descer dos céus dos autores imortais para adentrar em suas realidades cotidianas. Um trajeto feito com diálogos, não dogmas. “O professor deve estender suas aulas para temas ligados ao comportamento dos aprendizes, porém isto deve ser feito de modo crítico e reflexivo e nunca, jamais, transformar as aulas em lição de moral”, sugere Benedito.

FONTE:
http://www.rhbn.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=2749

Nenhum comentário:

Postar um comentário