Loading...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pensamento de Sponville



A compaixão sofre com o sofrimento do outro,
enquanto a doçura se recusa a produzi-lo ou aumentá-lo
André Comte-Sponville

domingo, 22 de novembro de 2009

QUEM FOI HEITOR VILLA-LOBOS?

Heitor Villa-Lobos
05/03/1887, Rio de Janeiro (RJ)
17/11/1959, Rio de Janeiro (RJ)


Heitor Villa-Lobos usou a música popular como base para as suas peças eruditas

Heitor Villa-Lobos se tornou conhecido como um revolucionário que provocava um rompimento com a música acadêmica no Brasil. As viagens que fez pelo interior do país influenciaram suas composições. Entre elas, destacam-se: "Cair da Tarde", "Evocação", "Miudinho", "Remeiro do São Francisco", "Canção de Amor", "Melodia Sentimental", "Quadrilha", "Xangô", "Bachianas Brasileiras", "O Canto do Uirapuru", "Trenzinho Caipira".

Em 1903, Villa-Lobos terminou os estudos básicos no Mosteiro de São Bento. Costumava juntar-se aos grupos de choro, tocando violão em festas e em serenatas. Conheceu músicos famosos como Catulo da Paixão Cearense, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e João Pernambuco.

No período de 1905 a 1912, Villa-Lobos realizou suas famosas viagens pelo norte e nordeste do país. Ficou impressionado com os instrumentos musicais, as cantigas de roda e os repentistas. Suas experiências resultaram, mais tarde, em "O Guia Prático", uma coletânea de canções folclóricas destinadas à educação musical nas escolas.

Em 1915, Villa-Lobos realizou o primeiro concerto com suas composições. Nessa época, já havia composto suas primeiras peças para violão "Suíte Popular Brasileira", peças para música de câmara, sinfonias e os bailados "Amazonas" e "Uirapuru". A crítica considerava seus concertos modernos demais. Mas à medida que se apresentava no Rio e São Paulo, ganhava notoriedade.

Em 1919, apresentou-se em Buenos Aires, com o Quarteto de Cordas no 2. Na semana da Arte Moderna de 1922, o aceitou participar dos três espetáculos no Teatro Municpal de São Paulo, apresentando, entre outras obras, "Danças Características Africanas" e "Impressões da Vida Mundana".

Em 30 de junho de 1923, Villa-Lobos viajou para Paris financiado pelos amigos e pelos irmãos Guinle. Com o apoio do pianista Arthur Rubinstein e da soprano Vera Janacópulus, Villa-Lobos foi apresentado ao meio artístico parisiense e suas apresentações fizeram sucesso.

Retornou ao Brasil em final de 1924. Em 1927, voltou à Paris com sua esposa Lucília Guimarães, para fazer novos concertos e iniciar negociações com o editor Max Eschig. Três anos depois, voltou ao Brasil para realizar um concerto em São Paulo. Acabou por apresentar seu plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Em 1931, o maestro organizou uma concentração orfeônica chamada "Exortação Cívica", com 12 mil vozes. Após dois anos assumiu a direção da Superintendência de Educação Musical e Artística. A partir de então, a maioria de suas composições se voltou para a educação musical. Em 1932, o presidente Vargas tornou obrigatório o ensino de canto nas escolas e criou o Curso de Pedagogia de Música e Canto. Em 1933, foi organizada a Orquestra Villa-Lobos.

Villa-Lobos apresentou seu plano educacional, em 1936, em Praga e depois em Berlim, Paris e Barcelona. Escreveu à sua esposa Lucília pedindo a separação, e assumiu seu romance com Arminda Neves de Almeida, que se tornou sua companheira. De volta ao Brasil, regeu a ópera "Colombo" no Centenário de Carlos Gomes e compôs o "Ciclo Brasileiro" e o "Descobrimento do Brasil" para o filme do mesmo nome produzido por Humberto Mauro, a pedido de Getúlio Vargas.

Em 1942, quando o maestro Leopold Stokowski e a The American Youth Orchestra foram designados pelo presidente Roosevelt para visitar o Brasil O maestro Stokowski realizou concertos no Rio de Janeiro e solicitou a Villa-Lobos que selecionasse os melhores músicos e sambistas, a fim de gravar a Coleção Brazilian Native Music. Villa-Lobos reuniu Pixinguinha, Donga, João da Baiana, Cartola e outros, que sob sua batuta realizaram apresentações e gravaram a coletânea de discos, pela Columbia Records.

Em 1944/45, Villa-Lobos viajou aos Estados Unidos para reger as orquestras de Boston e de Nova York, onde foi homenageado. Em 1945 fundou a Academia Brasileira de Música. Dois anos antes de sua morte, o maestro compôs "Floresta do Amazonas"para a trilha de um filme da Metro Goldwyn Mayer. Realizou concertos em Roma, Lisboa, Paris, Israel, além de marcar importante presença no cenário musical latino-americano.

Praticamente residindo nos EUA entre 1957 e 1959, Villa-Lobos retornou ao Brasil para as comemorações do aniversário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Com a saúde abalada, foi internado para tratamento e veio a falecer em novembro de 1959.
Fonte:http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u525.jhtm

SPINOZA




Paz não é a ausência de guerra.É uma virtude, um estado mental, uma disposição para a benevolência, confiânça e justiça.

Spinoza

domingo, 15 de novembro de 2009

FILOSOFIA E HISTÓRIA

Além da História
Recente no currículo escolar de nível médio, a Filosofia já chegou às pré-escolas em outros países. Tirá-la da História e confrontá-la com a realidade local é o principal desafio.
Adriano Belisário


Fora das salas de aula desde 1971, o ensino de Filosofia voltou definitivamente às escolas brasileiras em meados do ano passado, quando foi sancionada a lei que obriga a inclusão da disciplina no currículo do Ensino Médio. Mas se aqui as experiências pedagógicas estão apenas no começo, a longa tradição de alguns países tem muito a colaborar com este desenvolvimento.

Na Itália, a matéria é ensinada no Liceu (equivalente ao Ensino Médio) desde 1923, quando o filósofo Giovanni Gentile promoveu uma reforma no sistema pedagógico. Por décadas, suas diretrizes tornaram a disciplina sinônima de História da Filosofia, inclusive permitindo que professores formados apenas em História fossem habilitados para assumir a cadeira de Filosofia. Assim, o que deveria ser uma atividade crítica produtiva tornou-se apenas uma exposição cronológica de doutrinas. Superar esta condição é o principal desafio nas salas de aulas.

“O estudo deve partir sempre das obras e pensamentos dos grandes filósofos da tradição, mas não pode esgotar aí sua tarefa. Ele deve ajudar os aprendizes a refletirem sobre as questões do seu tempo e proporem soluções para elas. Mas os conteúdos são passados de forma mecânica. Não há atividades que promovam a oportunidade de o aprendiz-leitor vivenciar a experiência de filosofar, considerada um privilégio dos filósofos. A eles, os aprendizes, cabe memorizar e reproduzir”, diz José Benedito, professor de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia.

O filósofo recomenda o uso de filmes, canções e obras de artes para auxiliar no processo de compreensão das questões apresentadas no curso. Abordagens alternativas como estas estavam em ebulição na França do final do século passado. Naquele momento, nasceram as primeiras aulas de Filosofia voltadas para crianças, após mais de um século de presença no Ensino Médio.

“Agora, a ênfase é na liberdade total do professor para o ensino de Filosofia. Isto é um consenso desde mais ou menos 1890. Até então, havia uma forte pressão da Igreja e do Estado. Em 1820, chegou a ser criada um roteiro para aulas, que incluía uma série de perguntas já com as respostas certas que os alunos deveriam dar”, comentou o filósofo Michel Fichant, responsável por mudanças no ensino escolar de Filosofia na França, durante recente passagem pelo Brasil.

Hoje, são praticadas diversas metodologias diferentes no ensino escolar de Filosofia na França, como a de Michel Tozzi, inspirada na pedagogia do trabalho de Célestin Freinet, e a de J. Lévine, baseada na formação do indivíduo. Em comum a elas, está a rejeição em tornar a disciplina uma mera exposição cronológica de doutrinas ou uma repetição de manuais de Filosofia. Outros locais ainda enfrentam o problema da baixa qualidade de materiais didáticos, como na África, onde o ensino de Filosofia está presente em mais de 50 países. No continente negro, as dificuldades em contextualizar o conteúdo com a realidade local são maiores devido à falta de traduções e professores qualificados.

Outra experiência interessante é a do Uruguai, que promove as Olimpíadas Filosóficas Rio-Platense em parceria com a Argentina. Apesar do nome, o evento não tem um caráter competitivo. O principal objetivo é estimular os alunos a debater propostas e elaborar textos críticos sobre o assunto.

Ao se tornarem protagonistas do debate filosófico, os jovens veem a Filosofia descer dos céus dos autores imortais para adentrar em suas realidades cotidianas. Um trajeto feito com diálogos, não dogmas. “O professor deve estender suas aulas para temas ligados ao comportamento dos aprendizes, porém isto deve ser feito de modo crítico e reflexivo e nunca, jamais, transformar as aulas em lição de moral”, sugere Benedito.

FONTE:
http://www.rhbn.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=2749

terça-feira, 10 de novembro de 2009

FILOSOFIA PARA CRIANÇAS


O Professor norte-americano Dr. Matthew Lipman, preocupado com a atuação precária de seus alunos, concebeu o Programa Filosofia para Crianças, dispondo-se a ampliar o desenvolvimento das habilidades cognitivas mediante discussões de assuntos filosóficos e propondo, com tais discussões, a introdução filosófica de crianças e jovens, no final da década de 60. A partir de 1976 o Programa Filosofia para Crianças, difundiu-se pelo mundo, sendo traduzido e colocado em prática em vários países. A finalidade é desenvolver as habilidades cognitivas dentro de um contexto significativo, através do diálogo. É através de procedimentos dialógicos que, se motiva o aprendizado de um pensar ponderado, inventivo, de uma maneira contextualizada e, também se elabora a construção do aprendizado da cidadania,através de uma convivência saudável, respeitando as idéias divergentes e a variedade cultural, onde as salas de aula são transformadas em pequenas comunidades de investigação.

sábado, 7 de novembro de 2009

REVISTA DE FILOSOFIA

Há quarenta anos morria o filósofo da Escola de Frankfurt que se tornou famoso por sua crítica aos meios de comunicação de massa
POR SERGIO AMARAL SILVA *



Esse pequeno trecho da letra de "Televisão", composta por Arnaldo Antunes, Toni Bellotto e Marcelo Fromer, canção que deu título a um dos primeiros álbuns dos Titãs, em 1985, serve de epígrafe a esta matéria, que trata da visão do filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969), falecido há exatos quarenta anos, sobre a "cultura de massas", que ele preferia chamar de "indústria cultural". Adorno era marxista por formação e sua filosofia funda-se na análise dialética.

A expressão "indústria cultural", segundo consta, foi utilizada pela primeira vez no livro "Dialética do esclarecimento", escrito em colaboração com Horkheimer e publicado em Amsterdã, em 1947. O termo era empregado em substituição a "cultura de massas", conforme Adorno explicaria numa série de conferências radiofônicas proferidas em 1962, porque esta induziria ao erro de julgar que se trata de uma cultura emergindo espontânea e autonomamente, do seio das massas. Essa interpretação enganosa, segundo ele, serviria apenas aos interesses dos donos dos meios de comunicação.

Horkheimer

Adorno, a indústria cultural e a internet

Max Horkheimer (1895-1973) foi um importante filósofo alemão com trajetória, de certo modo, paralela à de seu amigo Adorno, com quem integrou a chamada Escola de Frankfurt. Nos anos 1940, escreveu com Adorno, a "Dialética do esclarecimento". Entre 1951 e 1953, foi reitor da Universidade de Frankfurt.

Consumidores
Em consonância com a teoria marxista, a filosofia adorniana considera que a indústria cultural transforma todos seus produtos em mercadoria, visando obter lucros pelo consumo. O próprio Adorno salientou: "O consumidor não é rei, como a indústria cultural gostaria de fazer crer; ele não é o sujeito dessa indústria, mas seu objeto."

Quanto à televisão, era o principal instrumento dentre os "meios de massa" conhecidos por Adorno há algumas décadas. Espécie de ponta-de-lança da indústria cultural, que, nas palavras do próprio autor, "impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e decidir conscientemente". Como se vê, os sintomas provocados fazem lembrar o "emburrecimento" de quem não consegue diferenciar os próprios pensamentos e acaba indo viver na jaula dos bichos, de que falam os Titãs.


Segundo Adorno, na indústria cultural tudo se transforma em negócio. Ele diz: "Enquanto negócios, seus fins comerciais são realizados por meio de sistemática e programada exploração de bens considerados culturais." Para ele, a indústria cultural só se importa com as pessoas enquanto empregados ou consumidores , não apenas adaptando seus produtos ao consumo, mas ditando o próprio consumo das massas. Portadora não só de todas as características do mundo industrial moderno mas também da ideologia dominante, seria a verdadeira origem da lógica do sistema capitalista. Conforme o autor, o homem liberto do medo da magia e do mito torna-se vítima de outro engano: o progresso da dominação técnica, que acaba sendo utilizado pela indústria cultural como arma contra a consciência das massas. Inclusive em seu tempo livre, o indivíduo é presa da mecanização provocada pela indústria cultural, com Adorno dizendo que "só se pode escapar ao processo de trabalho na fábrica e na oficina adequando-se a ele no ócio"

Assim, a indústria cultural estabelece uma espécie de comércio fraudulento, que promete a satisfação das vontades mas na verdade as frustra, num tipo de jogo perverso de oferecimento e privação, em que um exemplo nítido e atual pode ser dado pelas situações eróticas apresentadas pela internet. Ali, o desejo atiçado pelas imagens acaba encontrando apenas a rotina que o reprime, num mundo virtual. Embora antes do advento da rede mundial, Adorno observava que a situação une "à alusão e à excitação a advertência precisa de que não se deve, jamais, chegar a esse ponto".
Conforme resume o professor Francisco Rutiger, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e autor do livro "Th eodor Adorno e a crítica à indústria cultural" (Edipucrs, 2004): "A crítica à indústria cultural adorniana não perde sua atualidade perante os fenômenos de internet, visto que, enquanto plataforma da cibercultura, essa vem a ser um novo suporte por onde corre, agora em escala ainda mais massiva e imediata, o processo de conversão da cultura em mercadoria."
Fonte:http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/20/artigo151970-2.asp

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

PAULO FREIRE


Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão

Paulo Freire